Capítulo 1 - Parte 1
(Prólogo ao Caos)
Narrador: Olá, meu nome é Gabriel, e minha história pré-Apocalipse é...
Bom, meu início foi bem sofrido, mas não vou me vitimizar aqui.
Até porque dependi muito dos outros. Meu primeiro salário veio de um assalto,
e eu tinha 16 anos. É pois é, quem diria não?
Era prodígio na escola. E vai achando que
pra ser bandido não precisa estudar.
Se você não souber o básico de física,
você não consegue planejar um assalto.
E se você não planeja, você é um alvo fácil
nas mãos dos tiras.
Mas, em um dia nessa indústria vital,
ocorreu algo que nunca tinha ocorrido antes...
(suspiro)
Eu cometi um erro crítico, que me levou à prisão.
E mesmo sendo um prodígio, descobri algo que todos sabem.
Aos 19 anos descobri que existem leis,
mas não normais, leis que favorecem pessoas como eu.
E me pagando de coitadinho, consegui diminuir muito minha pena.
Mais bom comportamento, saí de lá um ano depois.
E fui para casa. Minha mãe estava decepcionada,
ela realmente achava que todo aquele dinheiro
eu conseguia trabalhando dois dias na semana?
Mas eu era cuidadoso, planejava tudo para não deixar rastros.
Minha sobrinha por outro lado, sentiu muito minha falta,
e veio direto me abraçar. No dia seguinte, a primeira infectada
que vi.
*início da intro*
[Música]
The day Ashley dies
*fim da intro*
[tiros] [zunidos] [sirene] [tiro de revólver]
(Gabriel correndo)
(respiração ofegante)
[porta se abrindo]
[porta se fechando]
(respiração de alívio)
Narrador: E lá estava eu. Tinha entrado na primeira casa que vi.
Tive sorte de não estar trancada.
Depois de respirar um pouco e retomar o foco da situação,
comecei a vasculhar a casa, à procura de qualquer coisa útil.
Pensei estar sozinho, até que ouvi um grito feminino,
e pela tonalidade da voz, de uma criança. Fui verificar.
Chegando lá, abri a porta lentamente,
e vi uma garotinha, ela estava em cima de uma beliche, e logo embaixo um zumbi.
Ela desesperada olhou para mim e pediu ajuda.
(suspiro)
É, eu realmente não sou um cara bom.
Nunca quis ser um mocinho, por isso segui pelo lado oposto.
Então poderia ter simplesmente saído de lá e seguido meu caminho,
mas... Não poderia deixar uma pobre menininha morrer desse jeito.
Então peguei uma faca. Ela se espantou e cobriu os olhos.
Tive pena, não poderia deixá-la com uma cena tão forte na cabeça.
Tive que pensar em outra forma de me livrar daquele bicho, que carinhosamente dei o nome de Fred.
Comecei a viajar então nos meus pensamentos, até que Fred percebeu minha presença,
e avançou pra cima de mim. Tomei um susto e caí com ele, afastando-o,
sabia que estava em desvantagem naquela posição.
Comecei então a perder forças e... Não tive outra escolha,
a não ser perfurar a cabeça dele com minha faca.
(faca perfurando)
Ashley: Você matou ele?
Gabriel: Sim, ele não me deu outra escolha.
Narrador: Ashley me abraçou.
Ashley: Tava com tanto medo.
Narrador: Aquele abraço me fez lembrar da minha sobrinha, foi a primeira infectada que vi...
Gabriel: Tá bom.
Narrador: Disse, enquanto a afastava, e voltei a vasculhar.
Ashley me confrontou e perguntou o que estava fazendo.
Eu disse que só estava pegando meu pagamento.
Afinal, tinha salvado a vida dela, e sem ela, aquilo seria apenas suprimentos.
Ashley: E o que você vai fazer com isso?
Gabriel: Bom... Não sei ainda. Talvez procurar mais.
Ashley: Ow! Eu posso procurar com você?
Gabriel: Woo o quê? Claro que não, você só iria me atrasar.
E falando nisso, onde estão seus pais?
Ashley: Eles estão viajando, eu acho que perto da Reserva.
Gabriel: Bom, eu sinto muito por isso. Terá que aprender a sobreviver sozinha. Adiós.
Ashley: Ei! Espera, você não pode ir agora, está de noite e...
Eu não quero ficar sozinha. Fica essa noite comigo?
Narrador: Ela disse, enquanto fazia aquela carinha de Gato de Botas.
Não tinha como dizer não pra aquilo, fiquei!
E foi até bom, descobri que à noite, aqueles monstros eram piores.
Afastando a cortina para dar uma olhada do lado de fora da casa, o que vi me deixou pasmo.
As pessoas estavam cada vez mais loucas, estavam se comendo mais do que no carnaval.
Ashley: (bocejo)
Já é quase 8 horas. Eu tenho que ir pa' cama.
Boa noite, moço.
Gabriel: Boa noite, criança.
Narrador: No dia seguinte, despertei bem cedo, antes da criança.
Iria embora de lá e deixá-la. É, eu sei, não seria algo legal mas...
[interferência]
Rádio: Cidadãos da Tecnox, alguém na escuta?
A polícia e os militares conseguiram criar um campo para refugiados,
para aqueles que ainda não foram infectados.
Estamos ao norte da Reserva. Aceitamos todos que não apresentem sinais de infecção.
[interferência]
Cidadãos da Tecnox, alguém na escuta?...